29.10.10

Viajando no meu mundinho

Que semana corrida, não consegui atualizar o blog com as últimas coisas da viagem(mas voltei pro Pilates e pra academia!).
Num dos dias da semana tive que ir a uma reunião no local onde minha mãe trabalha. Parece uma coisa boba, mas foi tão bom a gente se encontrar durante a semana! Aproveitei pra apresentá-la ao meu chefe - que depois comentou como ela é "bonitona". E em seguida ela me ligou pra dizer que tava toda orgulhosa porque os colegas vieram perguntar quem era aquela "moça bonita". Aí ficou a maior rasgação de seda.
E ontem recebi essa montagenzinha do encontro que fizemos no aniversário do meu pai, que já tá velhinho, fez 77 anos. Nela aparecem meus dois irmãos, minha cunhada, Gu, Igor e o meu sobrinho Gui, que agora também é cantor de rap (depois coloco o link aqui).
Família é assim: um reclama do outro, mas ninguém quer viver sem.

25.10.10

Pedalation


Ah, se um dia Floripa fosse assim...
Imagina pedalar tranquilo na cidade, com bikes grandes e confortáveis, numa cidade limpa, organizada e cheia de ciclovias. Do centro a um parque em poucos minutos, sentindo a brisa no rosto...
Tá certo que num dia de chuva meti a bicicleta duas vezes num trilho de trem e acabei me estabacando, mas fora isso, pedalar por Amsterdam foi de certeza uma das coisas mais legais da viagem.

Una vera famiglia italiana



Quando conheci o Gu, ele morava com a avó paterna, dona Isolda, que naquele mesmo ano fez a passagem desse mundo. Desde então ouço falar na parte italiana da família, já que a irmã da dona Isolda - a Walkyria, casou com italiano (Michelle) há 54 anos, foi pra Itália e lá teve duas filhas: Giuseppina (Pepe) e Margherita. Não tínhamos contato, mas por conta da viagem, começamos a nos falar pelo Facebook.
A tia-vó do Gu, Walkyria, disse que estava ansiosa pra nos ver. Fomos conhecê-los num sábado. Eles moram em um bairro tranquilo de Roma, num apartamento amplo no térreo, com jardim, um oásis no meio da metrópole. Fomos recebidos como reis, com um almoço maravilhoso. Por algumas horas, embarcamos num mundo paralelo de histórias e lembranças de família. Mas uma turma de amigos e uma lista de lugares pra visitar nos aguardavam, e partimos com a promessa de voltar no outro fim de semana.
A vó Walkyria e o vô Michelle tem 87 anos e, por conta de alguns impedimentos, quase não saem de casa - ela, incrivelmente lúcida, está com alguns problemas físicos e ele, forte e disposto, enfrenta lapsos de memória. A Pepe, filha mais nova, mora num apartamento coladinho, no mesmo prédio, junto com a filha Costanza, de 12 anos, uma amor de menina. A outra filha, Marguerita, mora perto e apareceu também.
A nossa segunda visita foi com mais tempo. Novamente fomos paparicados com comidinhas e presentes, além de dicas preciosas de quem mora no local.
Gostei de todos, mas me apaixonei pela vó, sempre elegante, e pela Costanza, uma menina-moleca que não larga o cachorro Lampo. A promessa é que em breve ela e a Pepe venham pra cá.
Foi um fim de semana delicioso, com direito a lágrimas na despedida. Arrivederci!

Roma, cidade eterna



Já escrevi alguma coisa sobre Roma, mas ainda em trânsito e sem ter voltado lá pra despedida. Roma foi nosso ponto de chegada e partida na Itália. Nos primeiros três dias estávamos em turma, assistimos o U2, batemos perna de dia e de noite, com medo de não dar tempo de tudo. E não deu mesmo.
Na sexta à noite, depois de Veneza, chegamos mais uma vez, de trem, agora pra ficar na casa dos "parento" do Gu - sobre quem pretendo escrever em breve. Pegamos um trem cheião desde Veneza, então à noite foi basicamente jantar, banho e cama.
No dia seguinte fomos direto ao Coliseu. Embora eu estivesse num dia meio "tepeêmico", a visão daquele lugar com tanta história foi impactante. Saber que tanta gente já morreu ali, que tanta barbárie já se passou onde agora estão aquelas ruínas, dá uma sensação estranha. Caminhamos por ali e pelo Foro Romano umas três horas, usando a imaginação pra recriar cenários que povoam a nossa mente por causa dos filmes e livros. Um privilégio estar ali.
Nesse dia estava rolando uma greve enorme de sindicatos, com umas 100 mil pessoas na rua. Não dava pra pegar ônibus, e os metrôs pareciam latas de sardinha. Mas pra turista tudo é festa, e dali fomos espremidos até à Basílica di San Pietro, na cidade do Vaticano. Da primeira vez entramos no museu, mas não na basílica. Que coisa mais linda... afora a minha descrença na igreja católica - e mesmo com uma quantidade enorme de estátuas de papas, aquilo ali é pura arte arquitetônica: as tumbas dos papas, as esculturas gigantescas, as pinturas, a música. Tudo impressionante, gigante e lindo demais.
Dali ainda fomos explorar o Castel Sant´Angelo, outra maravilha. É ligado à Basília por uma muralha enorme (por onde não passam turistas) e oferece uma vista belíssima da cidade. Ainda tivemos a sorte de testemunhar o sol se pondo atrás do Vaticano.
Depois dessa maratona, chegamos em casa caindo pelas tabelas e fomos recebidos por uma lasanha enooorme! O próximo dia, domingo, seria o último da viagem.
Acordamos e fomos até uma igrejinha afastada onde fica a escultura do Moisés, de Michelangelo, e as correntes que dizem terem aprisionado São Pedro. A igreja tem esculturas bizarras de caveiras, bem impressionante também.
Como era domingo, quase meio-dia, e dizem que é pecado ir a Roma e não ver o papa, acabamos parando de novo no Vaticano, onde um mar de gente cantava e empunhava bandeirinhas pra Bento XVI. Um belo espetáculo de fé.
Foi ali do lado que, depois de almoçar, fizemos um programa muito legal: pegamos um daqueles ônibus abertos e fomos passear por toda a cidade ouvindo as informações históricas no fone de ouvido, descansando as pernas e já ficando com saudade daquele país adorável. Nos despedimos da cidade num dia lindo de sol, agradecendo a Deus pelo privilégio e desejando voltar um dia. Se for verdadeira a história da moedinha na Fontana di Trevi, tá garantido o retorno.
Grazie Italia, grazie italiani: tutti buona gente!

Troppa informazione

Desde que voltamos estou pensando em como e quando contar a viagem. Mas são muitas lembranças e duas mil fotos, com quase nada de tempo livre. Acabei escrevendo sobre Veneza antes de Firenze, por exemplo, porque quando escrevi tava no trem com as informações mais frescas na cabeça.
Hoje conseguimos imprimir 150 fotos pra fazer um "albão". Agora vou tentar retomar a escrita aos poucos.
Pra ajudar, alguns tópicos que pretendo contar:
Roma, Roma, Roma
A famiglia italiana
Pedalando em Amsterdam
Os bichos da viagem
E mais um monte de coisa...

22.10.10

Meravigliosa Firenze


Firenze foi a nossa parada oficial na região da Toscana. Chegamos de carro alugado, vindos de Roma, e ficamos no hotel Jane (nome que rendeu muitas piadinhas infames no trajeto). Saímos no fim de tarde pra primeira caminhada, era domingo e vimos muitas famílias na rua. Num dos calçadões, folhas gigantes coladas no chão pra criançada desenhar em cima. Muito astral, estávamos achando a cidade "bonitinha", até darmos de cara com a fachada da Duomo di Firenze - Cattedrale di S.Maria del Fiore. Que espetáculo! Toda em estilo gótico, começou a ser feita em 1296 e terminou em 1436. Ali começamos a ver a riqueza histórica que a cidade preserva.
O primeiro grande impacto foi ver o David, de Michelangelo, que pra mim foi um dos grandes momentos da viagem. Perfeita, a escultura em mármore tem 5m17cm de altura, foi feita entre 1501 e 1504, e dá pra ver até as veias, unhas, cabelos talhados pelo artista. Sentamos e ficamos olhando...
À noite jantamos "Tagliata", um prato feito com carne quase crua que rendeu algumas caretas e até alguns pedidos de mais um tempinho no fogo. Indicação do seu Giani, dono do hotel. Mas com vinho, muitas risadas e sobremesa, fechou com chave de ouro a primeira noite.


Sentido horário: sepulcros de Dante Alighieri, Machiavel, Galileu e Michelangelo

No outro dia saímos em grupos separados. Eu e o Gu acordamos bem cedo e fomos direto à igreja de Santa Cruz de La Croce, onde estão os sepulcros de Michelangelo, Galileu Galilei, Dante Alighieri, Machiavel, entre outros. Cada um mais lindo que o outro. No subsolo tem uma espécie de cemitério, uma sala bem longa, onde me senti meio mal.
Dali fomos pra Duomo, pra subir os 400 e tantos degraus e ver a cidade de cima. Que visão! Fizemos um filminho que ainda pretendo postar aqui. Melhor ainda foi chegar bem pertinho das pinturas do "Julgamento Final" que ficam pelo lado de dentro do domo e mostram o céu e o inferno retratados pelos artistas Giorgio Vasari e Federico Zuccari entre 1568 e 1579. O trabalho tem 3.600m2 e chega a emocionar.
Pra completar, tem o Ponte Vecchio, em estilo medieval, sobre o Rio Arno, que concentra um monte de lojinhas, principalmente de jóias, e a maravilhosa praça do Palazzo Vecchio, com esculturas im-pres-si-o-nan-tes ao ar livre. Não deu tempo foi de entrar no Palazzo. Ficaria em Firenze mais um dia fácil, fácil.

Ah, duas historinhas que mostram uma pequena diferença entre Brasil e Europa: prejudicada por uns goles a mais, uma das amigas esqueceu no primeiro dia um óculos Prada, chiquitíssimo, num bar onde tinham ido comprar água. No outro dia, passamos lá e já estava fechando. Meio sem esperança, perguntamos pelo óculos, e lá estava, guardadinho esperando pela dona. E a melhor foi a echarpe que ela esqueceu no restaurante do jantar. No outro dia foi buscar e o restaurante estava fechado. Mas a echarpe estava amarradinha na porta, do lado de fora.

18.10.10

Venezia: love is in the air



Parte do grupo não quis incluir Veneza no roteiro pela fama que a cidade tem de preços caríssimos. Eu e o Gu, porém, não poderíamos deixar de conhecer, nem que fosse pra passar dois dias a base de panini. Qual não foi a nossa surpresa ao verificar que TUDO era menos caro que nas outras cidades por onde havíamos passado (exceto a hospedagem). Veneza é uma delícia pra se caminhar nas ruelas, passando as pontes, vendo as vitrines com máscaras maravilhosas. O passeio de gôndola era uma incógnita. Viemos do Brasil com a informação de que custava 150 euros por casal. Será que vale, pra quem mora numa ilha, pagar tudo isso por uma “banda de barquinho”? Chegamos no final de tarde, com uma chuvinha fina, mas o dis seguinte amanheceu lindo e gelado. O primeiro programa foi subir a torre do Campanelo (sino), de onde se vê toda a Veneza de cima. O vento tava de rachar, mas valeu a pena (até porque tinha elevador). Algumas horas de caminhada depois, paramos pra olhar as gôndolas e perguntamos o preço: 80 euros. Deu vontade, mas muito caro... Um gondoleiro simpático veio então falar conosco e ofereceu um passeio por 60. Quando ele se apresentou como Igor, sentimos que era pra ser. Nossa, foi uma das melhores partes da ida a Veneza. O cara era um verdadeiro guia, foi cantando e contando várias histórias sobre a cidade, fundada no ano 400 e tantos. Contou, por exemplo, que por dez séculos não haviam pontes e cada família tinha suas gôndolas. Contou também que Veneza já teve 300 mil habitantes, mas depois de uma grande enchente em 1966 quase ninguém mais quis morar no térreo e as casas começaram a ser vendidas para hotéis. Hoje são 50 mil habitantes,mas a cada ano, uns 20 milhões de turistas passam por lá. Ouvíamos tudo isso passando sob as pontes, observando a cidade e o reflexo dos barcos na água.
Além da fama injusta dos altos preços- foi aqui que finalmente compramos os souvenirs pros parentes – outro tabu quebrado foi o do mau cheiro. A cidade não fede como haviam nos dito. Aliás, tudo muito limpo e organizado. Foi também a cidade em que comemos melhor e pagamos menos. Por estarmos só os dois, conseguimos até descansar um pouquinho, coisa rara nos últimos dias.
Uma dica pra comer boa pasta fresca, feita na hora, com vinho e água, é o Brek, pertinho da estação ferroviária.

Os personagens

Além do Gu e de mim, essa história contou com personagens fundamentais para uma boa aventura de férias. Curiosidade: todos de Criciúma. Ecco gli lá:



Carol e Rodrigo: Tudo começou com um almoço na Barra da Lagoa, quando eles vieram de Criciuma com a filhotinha Malu (se não me engano em fevereiro) e contaram que iriam ver o U2 em Roma. Eu olhei pro Gu e perguntei: vamos também? De lá pra cá foram vários preparativos. A Carol eu conheço há 20 anos, e o Rodrigo é o marido tão gente boa quanto ela. Formam um dos casais mais divertidos que a gente conhece.
Carla e Juca: A Carla é amiga da Carol há milênios e portanto eu já a conhecia um pouco, mesmo morando em cidades diferentes. Com o Juca forma outro casal figura com quem compartihamos muitas risadas e algumas birras. A Carla era chamada na viagem de “Maria-mapa”, e o Juca foi de longe o piadista oficial. Depois de Milano, os dois primeiros casais voltaram pro Brasil.
Paty e Zólho: Conhecemos durante a passagem deles por Roma. Também ótimos companheiros de diversão. Seguiram depois pra Portugal. Assim como para os outros casais, as birras estavam entre as principais atrações de qualquer cidade. Ê, povo de fígado forte, esse de Criciúma.
Nós e esses três casais alugamos apartamentos no mesmo prédio em Roma por três dias e fomos juntos ao show do U2.



Tia Walkyria, tio Michelli, Margherita, Pepe, Costanza e Lampo: desde que conheço o Gu ele fala desses parentes italianos, mas nunca rolou um contato nos últimos anos. Quando soubemos da ida à Italia, fizemos contato com a Pepe, que também é jornalista, trabalha no La Republica. Ela e a Mergherita são filhas da tia Valquíria, que vem a ser irmã da saudosa vó do Gu. A Costanza, de 12 anos, é a filha da Pepe. E o Lampo é o labrador da Costanza. A parte em que ficamos com eles vale um outro post.
Tem ainda a Nara e o Elias, que moram e trabalham em Milão, e que passearam conosco pela cidade. A Nara dá aulas de ginástica e o Elias estuda moda – lugar melhor pra isso não há.
E, por último, o Ricardo, barman em Peschiera Del Garda, que encontramos por acaso e claro, também era de Criciúma! Ele já mora lá há anos com a família e não tem planos de voltar. Num lugar daqueles, faz muito bem.

Fidenza

Desde o primeiro dia de viagem, a palavra outlet era uma das mais pronunciadas pelas amigas criciumenses. Pra quem não sabe, um outlet reúne produtos de marcas internacionais famosas em um mesmo lugar. Mais ou menos entre Peschiera e Milano tem o Fidenza Village, e a parada lá passou a ser questão de vida ou morte, apesar dos protestos masculinos. Eu não tinha grandes ambições de consumo, afinal, uma viagem dessas, por si só, já é uma extravagância e tanto. Acontece que os preços são realmente muito menores que no Brasil. Uma bolsa, por exemplo, que no Brasil custaria uns R$800, estava por 78 euros (menos de R$ 200). Resumo da ópera: eu e o Gu, os mais avessos às compras, batemos de longe o recorde de sacolas. Saímos de lá batizando o lugar de “Fodenza financeira”...

Peschiera Del Garda


Peschiera Del Garda era um daqueles destinos sobre o qual a gente não sabia quase nada. “É tipo uma Saint Tropez”, disse a Carol. Chegamos à tardinha, mas deu pra ver que o lugar era lindo e prometia. No dia seguinte, por insistência do Gu, fomos quase até Riva, ponta norte do Lago de Garda. Lá tem um teleférico de onde se vê o lago e as montanhas rochosas e íngremes que o cercam. No caminho pra lá, cada um dos quatro repetia que era “o lugar mais bonito que já vi na minha vida”. Quando chegamos lá em cima, agradecemos a Deus pela oportunidade. Que maravilha. Deixo as imagens falarem. Acho que o Gu ainda não se conformou de termos ficado lá tão pouco tempo. Quem sabe um dia a gente volta. Pra quem for, uma dica: fique no hotel Benacus, que é na parte mais bonita.

Prossima fermata: Roma!

7 de outubro - A viagem de avião pra lá foi cansativa: acordamos 6h30 e só chegamos no nosso destino – um apto alugado na Via Montegiordano – às 16h. Os apartamentos, que alugamos pela internet, não eram exatamente o que pareciam pelas fotos. Mesmo assim, a localização era ótima, pertinho da Piazza Navona. No mesmo prédio, outros seis amigos tinham alugado apês – um pra cada casal. Eu e o Gu fomos os primeiros a chegar. Largamos as tralhas e saímos andando até o Castel Sant´Angelo, que achamos lindo e ficamos de voltar pra subir na torre (o que fizemos no fim de semana seguinte). Poucos passos depois demos de cara com a cidade do Vaticano. Assim como aconteceu em Paris em 2008, rolou aquela emoção de já ter visto tantas vezes aquele lugar em fotos, livros ou na TV, que demora um pouco pra cair a ficha que você está ali de verdade. A princípio foi só uma voltinha, voltamos pro prédio pra encontrar a galera e saímos pra caminhar, comer, beber e curtir a maravilhosa Piazza Navona, com a Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios). No dia seguinte, a andança seria forte: Vaticano de dia e show do U2 à noite.

8 de outubro: Nos encontramos na entrada do Museu do Vaticano, onde ficamos umas três horas que não deram nem pro cheiro. Falando em cheiro, em Roma estava fazendo uns 30 graus, e nós com as malas lotadas de casacos pesados.
Bom, voltando ao Museu, daria pra ficar uma semana ali dentro estudando a história de cada capela, cada escultura e pintura. Mas não dava tempo. Então fizemos um tour en passant até chegar à famosa Capela Sistina, que é realmente linda, com a pintura “Adamo e Dio” (A criação do Homem), de Michelangelo, que fica no teto. Embaixo, um mar de japoneses que não podiam fotografar, coitados. É proibido. Nada que brasileiros discretos não conseguissem burlar.
O show estava marcado pras 19h30, mas o noticiário dava conta de um “venerdi nero” (sexta-feira negra) por causa do trânsito e de uma greve geral de sindicatos. Por isso, 16h saímos de casa pra pegar o táxi. Chegamos cedo e os lugares eram marcados. A banda de abertura (Interpol) não era lá grandes coisas, mas a empolgação era enorme só de estar dentro do Stadio Olimpico lotado. O público fazia olas que davam toda a volta. Quando o U2 subiu ao palco, foram mais de duas horas de pura emoção. Um clima de alegria, paz e amor tomou conta das 70 mil pessoas que cantavam e dançavam. Não consegui segurar as lágrimas quando começou Miss Sarajevo e o Bono começou a cantar aquela parte do Pavarotti em italiano. Outro momento mágico foi quando o público, previamente orientado, desenhou em letras garrafais na platéia a palavra ONE, sem que a banda soubesse. O palco em 360 graus, a iluminação, os vídeos, as mensagens por paz, a interação com o público, tornaram o show uma experiência que dificilmente se repetirá. Nota mil é pouco.
Agora vou parar que o trem já está quase chegando. Devo voltar a escrever depois de Veneza, quando pegaremos o próximo e último trem, de volta pra Roma.

Fisrt stop: Amsterdam



A capital holandesa é muitíssimo organizada, com gente muito simpática e alto astral. Ficamos no hotel Eden American Amsterdam, recomendamos. O meio de transporte “oficial” é a bicicleta. E nós, claro, alugamos as nossas pra viver o “dutch way of life”. Começamos o passeio, eu o Gu, visitando a casa de Anne Frank. Achávamos que estávamos preparados pra uma coisa triste, mas na verdade é bem mais chocante quando se está lá dentro. Quase na saída há um vídeo gravado com o pai dela, em que ele diz: “convivi todos esse anos com minha filha, achava que éramos próximos, mas só quando li o diário de Anne, percebi como os pais não conhecem seus filhos”.
Depois de nos perdemos várias vezes pelas lindas ruazinhas e canais, chegaram nossos amigos Carol e Rodrigo, com quem fomos à praça dos museus, ao parque e até ao zoológico. Na primeira noite fomos ver o Red Light district, que como atração turística é interessante, mas um tanto deprimente se considerarmos aquilo como um meio de vida (provavelmente também para algumas brasileiras).
Foram três dias relaxantes que nos prepararam pra maratona italiana que estava por vir.
Highlights: o visual dos sobrados tortos no bairro Jordan (onde nos perdemos muito de bicicleta), comer no Wok to Walk, os filés suculentos nos restaurantes de carne da Leindsenplein , comprar doces maravilhosos no mercado (tem um enooorme, com uma vitrine de doces interminável), visitar o mercado de flores, tomar sorvete Haagen-Das com wafflle ou os da Ben & Jerri, e – o melhor de tudo: esquecer que horas são.

Piano, piano, se vá lontano

Comecei a registrar as memórias da viagem no dia 13 de outubro, no trem entre em Milano e Veneza. Após dez dias com o grupo, passando por Amsterdam, Roma, Firenze, Peschiera Del Garda e Milano, agora somos só eu e o Gu. Os dias foram intensos, quase sempre correndo contra o relógio pra poder aproveitar ao máximo. A Itália está sendo uma experiência maravilhosa. Ainda nem saímos do país e já começamos a planejar uma vinda futura. A internet nem sempre estava disponível e o tempo, quase nunca. Por isso não consegui manter a escrita. Vou tentar relatar as melhores lembranças por ordem cronológica e por cidade.

Siamo arrivati!

Chegamos hoje de viagem, com o corpo cansado e a mente cheia de memórias maravilhosas.
Vou começar a postar conforme o que consegui escrever nas viagens de trem. Internet ou era difícil ou cara, então nem me estressei em atualizar de lá. Aos poucos vou incluindo imagens. Vai dar um trabalhinho, afinal, voltamos com 2.030 fotografias...
Baci a tutti, ritorno subito!

9.10.10

Che città!

Gente do céu, Roma é um escândalo! Tá certo que tô chegando agora da baladinha un pó ubriaca, mas a cidade é muito legal. Aqui onde alugamos os apês, perto da Piazza Navona, as ruas antigas de pedra ficam lotaaaaadas de gente à noite. Só voltamos porque vamos sair cedo pra Firenze amanhã.
Hoje também foi um dia especial porque visitamos os "parento" italiano do Gu, e tivemos um encontro maravilhoso no melhor clima italiano, com direito a muita conversa, vinho, primo piato, secondo, terzo... sem falar na sobremesa.
Ainda bem que as caminhadas compensam.
Ontem, na volta do show do U2, 70 mil pessoas no Stadio Olimpico, impossível de conseguir taxi ou qualquer condução. Andamos quilÔÔmetros. Isso que durante o dia já tínhamos ido ao Museu do Vaticano e Capela Sistina.
Tudo lindo e maravilhoso. Cada passeio renderia um post. E o show, uns dez.
Só pra antecipar alguns highlights:
- Metade do mundo tá em Roma. Tem gente saindo pelo ladrão em qualquer lugar. Japonês, então, nem se fala;
- Tô fazendo valer aqui o curso de italiano que fiz há trocentos anos e nunca tinha servido pra nada. Um vendedor veio me oferecer bugiganga, expliquei que não queria e ele pediu desculpa, disse que não sabia que eu era italiana!! Figúrati!
- Hoje passamos numa rua na Piazza di Spagna que tem as lojas das grifes mais conhecidas do mundo. Numa delas, com bolsas a 1.950 Euros, tinha fila de gente pra comprar!
- Tem tanta fonte, tanta igreja, tanta escultura que a gente nem sabe o que fotografar;
- Hoje fomos ainda ao Pantheon, que foi construído 27 anos antes de Cristo, guarda a tumba do pintor Rafaello e tem uma abertura, um círculo na cúpula, pra entrar luz e por onde também entra chuva. Um sistema de drenagem no chão leva a água embora. Engenharia ecologicamente correta 27 anos antes de Cristo!!
- Nossos amigos brasileiros são garantia de gargalhada em qualquer situação.
E agora vou dormir que amanhã tem estrada rumo à Toscana. Ô, vidinha mais ou menos...

7.10.10

Me manca il tempo!

O Cesar tem razão no comentário aí de baixo. Quase não dá tempo de ficar no computador, é muita coisa pra ver, fazer, comer, beber. "Amsterdamos" por três dias, pedalamos mooooento, e hoje chegamos a Roma (de avião, claro). O pouco que vimos é de tirar o fôlego. Mas só passei pra tomar una dolcia e sair de novo, que a noite é uma criança e amanhã ainda tem Vaticano e U2.
Ci vediamo!

2.10.10

Arrivederci!


Ufa! Depois de uma correria danada, estamos de malas prontas pra embarcar amanhã depois do almoço (e de votar). Sairemos de São Paulo às 19h. Acho que até lá não vou saber o resultado da eleição. Não sei com o que tô mais ansiosa.
Deve demorar umas horinhas pra relaxar e entrar no clima de férias, mas com o roteiro que nos espera não vai ser difícil: primeiro Amsterdam, depois Roma (onde vamos ver o show do U2), depois subir a Toscana de carro, com pernoites em Firenze e Peschiera del Garda, depois Milão, Veneza, mais um pouco de Toscana e Roma de novo, per finire.
Vou tentar contar um pouco das aventuras aqui. Se Deus quiser, vai ser mais um sonho realizado.

Ótima votação amanhã! Ci "parliamo" presto!
Punto e basta ; )