27.3.09

Francês ao bafo

Pra encerrar o capítulo Paraty, fiquei de contar uma historinha passada na sauna do hotel. Praticamente todos os hóspedes eram franceses e, embora eu esteja estudando o idioma, estou bem no começo e não consigo entender muita coisa ouvindo as rápidas conversas. Bom, um belo dia entramos na sauna e já tinha um deles lá. Em seguida chegaram outros e ficamos eu, o Gu, cinco caras e uma mulher. Eles falando francês sem parar e a gente fazendo cara de essência de eucalipto, vez ou outra conversando um pouquinho em português. Todo mundo de sunga e eu de biquini. Situação no mínimo esquisita. Uma certa hora sai a mulher e dá um tropecinho, o que leva os caras a rir e fazer alguns comentários. Provavelmente tinham certeza que a gente não estava entendendo bulhufas. Um deles, que apelidamos de Tio Paulo, (porque era a cara do pai de uma amiga nossa) estava de relógio, então dei uma cutucadinha no Gu e perguntei em alto e bom tom:
"Monsieur, quelle heure est-il, si vous plait?" (sr, q horas são, por favor?)
Gente, a cara de susto que eles fizeram deu vontade de rir moooento! O cara respondeu e depois ficou aquele silêncio sepulcral. A conclusão que chegamos é que eles estavam falando um monte de besteira (talvez até falando de nós) e acharam que a gente estava entendendo tudo. Mal sabem eles que nem a resposta das horas eu entendi direito...

24.3.09

Vai pro tronco ou não vai?


Andando pelo centro histórico, em frente a uma das igrejas, nos deparamos com esse escravo em farrapos carregando umas correntes. Pra um cara que pediu pra tirar foto com ele, o escravo respondeu: "então segura aqui na corrente, seu malvado, seu poço de malvadeza". Claro que era um ator. Mas a expressão facial, o fato de ele ficar o dia todo sob o sol, e de estar perto do pelourinho e da casa que servia de "engorda" no mercado de escravos, nos deu uma sensação muito ruim. Só de imaginar que aquela já foi uma cena comum e que boa parte das pedras que formam as ruas foram carregadas por crianças negras - coisa que ele nos contou - deu um constrangimento enorme.
Muito boa a performance.
Uma outra história interessante nos foi contada na visita a uma fazenda onde se fazia cachaça. Na parte de baixo da casa de pedra, num cubículo, ficavam quase cem escravos amontoados, justamente para produzir calor pra esquentar a casa na parte de cima. Eles ferviam o caldo da cana num taxo e faziam melado, mexendo sem parar. Certa vez deixaram de misturar e o melado azedou, evaporou e começou a pingar sobre eles. Sem querer descobriram como fazer a cachaça. Daí veio o nome da pinga e da aguardente, pois quando caía sobre os machucados do açoite ardia que só.
Ao provar o gosto e os efeitos da mardita, começavam a rir e dançar. Os feitores levaram um bom tempo pra descobrir o motivo de tanta alegria...

3.7

Na sexta, dia 20, o Gu fez aniversário. A viagem foi a nossa comemoração, e bem nesse dia fizemos a segunda saída de escuna, dessa vez pra um roteiro mais especial de mergulho. Assim que o barco saiu, eu pedi pro barqueiro puxar um parabéns na próxima parada. Mas não teve jeito: era desligar o motor e o pisciano pulava n´água. Na terceira tentativa, antes de parar, o cara pediu: "atenção, pessoal! ninguém desce, que vamos cantar parabéns pro Gustavo!". Foi bem legal. Numa das descidas, em vez de pular ele foi de bote com todo mundo. Uma das passageiras, de Fortaleza, se espantou: "mas o que é que aconteceu com ele que não pulou na água??"
Quando voltamos pro hotel, tinha um espumante nos esperando com um cartão de cumprimentos e duas tacinhas rogando pra serem cheias. E no happy hour, ofereceram uma mega torta de chocolate com morango com direito a parabéns no piano.
Nada mau, hein, baby? Tu mereces. Lóvia!

23.3.09

Lado B - o transporte

A viagem do Rio a Paraty é feita por uma companhia de ônibus (Costa Verde) que tem ar-condicionado e por fora são bem bonitinhos. Mas por dentro...sujinhos por demais. Nem me arrisquei a usar o banheiro, apesar das 4,5 horas de viagem.
Fora isso, até Mangaratiba, a paisagem é chocante e deprimente. Um monte de aglomerados urbanos sem planejamento nenhum. Dá a impressão que o Estado foi abandonado à própria sorte. Daí pra frente, começa a melhorar, com paisagem do mar e das ilhas. Mas chega a dar uma tristeza de ver a situação em que muita gente vive. E a visão da usina de Angra também não combina nada com a paisagem.
Agora, o pior é o transporte dentro de Paraty. No dia em que resolvemos conhecer as praias de Trindade, nos disseram que fora de temporada era tranquilo ir de ônibus de linha. Qual o que! Na ida, pegamos a saída do colégio. Cancelaram uma linha que ia pro bairro de Patrimônio e agora fazem assim: deixam entrar todos os pagantes e depois liberam pros moradores. O resultado é muito empurra-empurra. Uns alemães que estavam sentados na nossa frente nos olharam com cara de apavorados e a palavra que trocamos foi HELP!
E na volta, então? Voltamos de pé! O pior foi ver que muita gente passa por isso diariamente. Alô, prefeitura! Que vergonha, hein??
Foto só tem da usina nuclear.

Lado A - as cachoeiras

Tiramos um dia pra sair de jipe e conhecer quatro grande cachoeiras. Eu nunca tinha nadado em piscinas naturais tão grandes, e com água bem menos gelada do que as cachoeiras daqui. Uma delas, a do tobogã, tem uma descida de uns 10 (?) metros. Relutei um pouco, mas fui, Que mico. Gritei do começo ao fim. Mas foi muito bom!
Numa outra tinha uma corda estilo Tarzan, nessa eu amarelei, mas o Gu me representou, pulando meia dúzia de vezes. No caminho paramos pra almoçar e degustar cahcaça numa fazenda antiga. Isso rende outro post depois.
Foi um dia de lavar a alma!
A foto de quando o vento sacode a cabeleira foi feita pelo Gu dentro do jipe.





Lado A - a baía de Paraty

As águas da baía de Paraty são um convite ao mergulho. Nosso primeiro passeio foi uma saída de escuna. Passamos quase o dia todo na água. Foi tão bom que repetimos a dose no último dia, só mudamos o roteiro. Destaque pra Ilha do Algodão, praia da Lula e Lagoa Azul.
As estrelas das fotos são em praias diferentes. A casa que aparece na foto é do Amir Klynk, na Ilha do Amir Klynk. E ele tem uma praia também, pobre criatura.



Lado A - a pousada

A viagem foi decidida em 10 minutos, dentro da agência. Nosso plano original era ir pra Bonito, mas o preço tava meio feio. Aí lembramos de Paraty, que tem mergulho e história. A agente então mostrou fotos da pousada Porto Imperial. Estavam com uma super promoção e só tinha um apartamento vago. Fechamos na hora. O quarto era em estilo imperial, com chão de tábua, cama com cabeceira enorme, móveis antigos, lindão. Cada quato homenageia uma mulher ilustre. A nossa era Clarice Lispector.
Do lado de fora, uma piscina daquelas com borda infinita era o nosso playground dos finais de tarde, seguida de piscina quente com hidro e depois sauna. Ou vice-versa. Um luxo só!
Essa da luminária mostra a janelinha pra rua antiga.



Lado A - centro histórico




Sobrevivemos, apesar de termos encontrado o carro com pneu furado na chegada!
Vou começar as impressões sobre Paraty. O centro histórico é ma-ra-vi-lho-so. Bem preservado, seguro, com atrações legais nas ruas, bares, restaurante. De dia, o sol ilumina as fachadas coloridas, quase todas com a pintura em dia. De noite, a luz difusa das luminárias dá o clima para os músicos, pintores, desenhistas que dão show sobre as calçadas de pedra. Altíssimo astral.


21.3.09

C'est finis!

Só esperando o táxi chegar pra começar a longa viagem de volta. Entre estrada, céu e algum tempo de aeroporto, vamos levar umas 12h pra chegar em casa. Mas valeu a pena, ê, ê. Semana memorável!
Se tudo der certo, até breve.

18.3.09

Um pouquinho de Paraty

Gente amiga,
Não vou ficar muito no computador não, embora tenha acesso livre aqui na pousada. Só passei porque choveu e pra deixar uns tópicos a desenvolver depois:
Hoje foi o dia das cachoeiras, bom demais da conta;
A pousada é um capítulo à parte;
Rush no busão - toda viagem tem que ter uma roubada, senão não tem graça;
Paraty é linda também debaixo d´água;
No meio do caminho tinha um dalit;
A França é aqui. Ah, e tem a hitória da sauna.

Por enquanto é isso. Beijos de quem não sabe que dia é hoje e tá há três dias sem saber que horas são. Feliz que nem pinto no lixo!

14.3.09

Para para para pa pa ra papá

FÉRIAS!
Amanhã (domingo) cedo eu e o Gu embarcamos pro Rio rumo a Paraty pra explorar a baía de Ilha Grande, o centro histórico, as cachoeiras...Ou seja, nada de blog por esses dias, eu acho. Boa semana e até o outro findi!
Qualquer coisa, não me liga. Bj!

13.3.09

Por mim e por você

Eu vou torcer pela paz
Pela alegria,pelo amor
pelas coisas bonitas eu vou torcer, eu vou



Quaaaaaaaaaaaaase de férias...

11.3.09

Genial

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
(poesia de cordel)
de Miguezim de Princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.


X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

Provisório garantido!

Pessoal, a busca por um dono "fixo" pra gatinha Carlota continua, mas pra semana que vem, o problema está resolvido!
Após uma criteriosa seleção de candidatos, ela escolheu ficar com a Francis, colega do Gu. Parabéns, Francis!
; )

Falando sério, gente, obrigada pelos e-mails oferecendo ajuda. Teve até quem quisesse dividir as despesas caso fosse preciso hospedar numa clínica. Vocês são ótimos!
Como a Francis se muda em breve, o lar é provisório mesmo, então, já sabem: se souberem de alguém que queira...

10.3.09

Perigos de um blog

Ainda bem que eu não falo mal de ninguém aqui. Lembram que contei do Nobu? Pois olha o email que eu recebi:

Olá Aline.

Meu proffesor do portugês descobriu seu blog e me avisou.
No blog, você escreveu sobre eu e as palavras
japoneses.
É muito engrassado!
hoje, vai terminar tudo para frequentar à
UFSC, por isso amnhã posso ir.

mataashita.

Nobuhito

9.3.09

Estréia no mundão


Nasceu hoje a Alice, filhotinha do Frank Maia e da Anna Carolina. Seja bem-vinda ao mundo e a esse país, que apesar de tudo, é das maravilhas!
Nasceu pequeninha e apressada, mas os detalhes a gente deixa o pai contar no Xinelão.
Parabéns, FrankÊÊÊÊÊ!!!!

8.3.09

Adota a Carlota



Ela é BEM mais bonita que a original, não acham?
Falando sério, gente. Mesmo que não seja pra adotar, uma semana de lar provisório vai ser uma bênção!

Uma sacola a mais

Passei boa parte do sábado ajudando minha mãe e meu irmão na mudança dele. Num das idas e vindas vi, em frente a uma obra, perto de casa, um filhotinho de gato e já fiquei com aquele ai,ai,ai... na cabeça. Lá pelas tantas, noite, já, me liga o Gu:
- Voltei agora do supermercado com o Igor. Tinha um gatinho bem pequeno na frente da obra
- Putz, eu sei, eu vi do carro numa das vezes que passei com a mudança.
- Pois é. Ele tá no box do nosso banheiro.

Nome do supermercado: Imperatriz.
Nome da gata: Carlota. Homenagem à D. Carlota de Bourbon Bourbon, da Espanha, mulher de D. João VI que foi imperatriz do Brasil de 1825 a 1826. Achei melhor que Leopoldina, Amélia ou Teresa de Duas Sicílias - nomes das outras imperatizes brasileiras.

Essa história toda me leva a antecipar a tal ótima notícia de um post acima: estamos de viagem marcada pra Paraty (RJ) dia 15, pra ficar uma semana. E a Carlota?

Bom, temos sete dias pra conseguir pelo menos um lar provisório pra ela. Com fé em São Francisco and a little help from my friends, tudo é possível. Em breve, fotos da nobre felina.

2.3.09

Escassez de boas novas

Bah, eu bem que tentei manter uma periodicidade de notícias boas, mas confesso que é tão difícil de achar que tou desistindo. O bombardeio de bad-news ganha disparado.

Sem palavras

"Por qué no te callas?"
Com infecção na garganta, Hugo Chávez ouviu recomendação que deve ter soado familiar. Após o diagnóstico, o médico disse a ele que fique sem falar por ao menos três dias.

(da Folha de hoje)