14.9.09

Alma lavada (4) – reconhecimento

Como demorei a escrever, não lembro a seqüência dos tratamentos aplicados, mas logo no começo nos explicaram o que iria acontecer. Dos pacientes, cerca de 90% tinham câncer. Alguns já haviam estado ali outras vezes, vários eram de outros Estados. Os encontros coletivos aconteciam num auditório, geralmente com as cadeiras em círculo. Não havia pregação religiosa, e diversas vezes nos falavam o seguinte: entre o tratamento espiritual e o tratamento médico convencional, fique com os dois.
Eu era uma das mais jovens (uhú) e uma das poucas com tumores benignos. Nas apresentações, ninguém precisava dizer qual seu problema de saúde, mas com o tempo uns iam contando pros outros. Uma moça de 29 anos, bonita, alta, de cabelo curto, me chamou a atenção. Só no último dia descobri que tinha esquizofrenia.
No dia anterior, ainda na triagem, encontrei o “A”, meu colega do curso de francês. Nós dois nos assustamos de nos encontrar ali. Contei meu motivo e ele, depois de bastante conversa, um tanto constrangido, me falou que estava com câncer de pulmão. Tinha acabado de descobrir.
Nos dias seguintes eu iria encontrar outro amigo, pra minha grande surpresa.

Um comentário:

hebe disse...

Aline,
Tô ficando super curiosa com seus capítulos Alma Lavada.To vendo que vc tem uma porção Manoel Carlos ou Glória Perez, se preferir, rsrsrsrs.
Bjs,