13.9.09

Alma lavada (1)

Em julho passei três dias em um local retirado aqui na Ilha, onde recebi diversos tipos de tratamentos: cromoterapia, terapia de argila, de iodo, massagens nos pés, meditação... isso depois de passar por entrevistas com médicos e nutricionistas. O atendimento era 24h e incluía refeições balanceadas, banhos de sol e roupas de cama branquinhas, trocadas diariamente. Os atendentes estavam invariavelmente com um sorriso sincero no rosto, e até agradeciam por estarmos ali.
Parece a descrição de um spa caríssimo, mas, além de tudo, era de graça.
Algumas pessoas já tinham me falado desse lugar, mas eu fui parar lá por insistência do Gu. O lugar se chama CAPC – Centro de Apoio ao Paciente com Câncer, e fica no Ribeirão da Ilha.
“Imagina, eu, super ocupada, não tenho tempo pra ir até o continente numa segunda-feira, pegar BR, depois fazer tratamento no outro extremo da Ilha, é inviável”. Essa era sempre a minha desculpa.
Minha cirurgia estava marcada pro dia 6 de julho, mas eu estava indecisa, não sabia se queria fazer tudo de novo. Já tinha passado por isso em 2006 e o problema voltou seis meses depois. Foram vários tratamentos mal sucedidos até o veredicto de “entrar na faca” mais uma vez.
Foi numa segunda-feira, dia 22, bem cedo, que fomos até o Núcleo Espírita Nosso Lar, em Forquilhinas, no continente. É uma edificação branca, parecida com um hospital. Logo que cheguei, peguei uma senha e fui chamada em seguida. Uma moça, que me chamava de irmã, perguntou o que eu queria e explicou que o encaminhamento para o CAPC só é feito para paciente que apresentam um laudo médico. Mostrei meus exames e fui agendada pra terça-feira da semana seguinte.
Fiquei tão confiante que desmarquei a cirurgia.

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