28.6.10

Sobre ser madrasta

Não é raro alguém se admirar com o fato de eu e o Igor, meu enteado, nos darmos tão bem. É o estigma da madrasta malvada: ninguém acha muito "normal" quando essa relação é harmoniosa. O que é uma pena.
Tenho pelo menos quatro amigas, que lembro de pronto, que são madrastas também. E as quatro não se dão lá muito bem - ou nem se dão - com os filhos dos maridos. Tenho outra amiga que definiu desde semprre: nunca vou ficar com homem que fume ou que já tenha filho. Chegou a se apaixonar por um e, quando descobriu que o moço já era papai, desapaixonou na hora. Por um lado acho que ela tá certa.
Porque quando a gente conhece um cara, a gente sabe se ele tem filho ou não e tem a liberdade de decidir se vai ficar com ele ou não. Sabendo que o "pacote" vem junto. E aí tem duas opções: se jogar na missão abraçando tudo que ela envolve ou implicar e criar um problema bem sério. Afinal, gente, filho é filho. É amor incondicional. E querer concorrer com isso é entrar em barca furada.
Claro que já me incomodei, já dei bastante pití por causa de bagunça aqui em casa, mas nada que eu não fizesse com um filho meu. As regras da casa eram claras e ele também teve que rebolar pra se enquadrar. Por outro lado, tive muita sorte: o Igor é tudo de bom. De vez em quando alguém comenta: "ih, ele deve estar naquela fase chata de menino". Não. Não tem fase chata.
Ele mora com a mãe e os avós, que tem feito um trabalho de tirar o chapéu, e frequenta bastante aqui em casa - mora a menos de 200 m. Tem vó e vó-drasta de tudo que é lado, convive com os amigos da mãe, dos avós, e com os nossos. Tem uma família católica e outra espírita. É uma "policriação" e ele é um conjunto dessa obra, já que convive com essa realidade desde sempre (eu o conheci aos oito meses e ele hoje tem 13 anos). Certamente se a gente estivesse se conhecendo agora seria diferente.
De qualquer forma, se eu quisesse construir uma vida com o pai dele, teria que incorporar o filho também. Ou então seriam três infelizes: o filho que disputa o pai com a madrasta; a madrasta que disputa o marido com o filho; e o marido que teria que se dividir entre dois amores.
Bem melhor tentar ser amiga do filhote. Afinal, ali tem muito da pessoa por quem você se apaixonou.
E essa foi a lição de moral desta segunda-feira que ainda nem começou a clarear.

3 comentários:

Frank Maia disse...

chorei!

Alexandre Gonçalves disse...

Muito bom. Vou mandar pra algumas que não sacaram essa do "pacote" :)

Rachel Kleinubing disse...

Por isso que eu te adoro! E tenho tanta saudade...