14.10.09

A gente fala a mesma língua mas não se entende

Cá estou e, como perceberam, quase não consegui atualizar de lá o blog. Muita correria! Mas eis que chego aqui e me deparo com uma polêmica sobre um vídeo que a Maitê Proença fez sobre o jeito português de ser. Não vi o vídeo ainda, por isso não posso comentá-lo. Mas nesses oito dias em Lisboa e arredores, tirei as minhas próprias impressões sobre os irmãos d´além mar.
Em primeiro lugar, a nossa língua portuguesa não é tão "nossa" assim. Muitas vezes, quando falam rápido, a gente simplesmente não entende. E, com certeza, como reza a lenda brasileira, os portugueses não são burros. Eles tem um transporte público que funciona, preservam seus monumentos, tem banheiros limpos e gratuitos nas praias e bebedouros nos parques. Lá, estavam em plena eleição nas autarquias, e parte do debate era sobre a falta de espaços públicos, porque o índice português por metro quadrado é o menor da Europa. Com a quantidade de parques e praças que vimos, achei que isso sim era piada de português.
Não são burros, mas são diferentes demais. Com eles não tem entrelinha, meio-termo ou subentendido. Não só eu e o Gu, mas quase todos os brasileiros do grupo, ficamos chocados com isso no começo. Alguns exemplos:
O ônibus que queríamos pegar estava parado no ponto. Perguntamos ao motorista se poderíamos entar e ele, meio irritado, disse que sim, mas que ele ia sair e trancar o carro.
Outra noite, num restaurante em que se apresentavam cantores de fado, perguntei ao garçom como funcionava ali, porque geralmente se tem um preço que inclui o jantar e a apresentação. Ele respondeu o seguinte: Funciona assim: vocês escolhem um ou dois pratos, eu sirvo, vocês comem, pagam e vão embora.
Um colega perguntou a um morador, na rua, se ele sabia onde ficava o castelo de São Jorge. Ele disse: sim, claro que sei, moro aqui há 35 anos. Virou as costas e saiu.
E se você perguntar onde fica o metrô, vão te dizer que é debaixo da terra.
Não sei se é assim com todo mundo ou se os brasileiros é que estão com o filme queimado por lá. Sei que foram poucas as pessoas que nos trataram com simpatia. Mas essas foram extremamente amáveis.
Uma brasileira com quem conversamos, que era professora universitária em Criciúma e lá trabalha como doméstica, disse que eles já sofreram muito, por isso são assim. Mas ela tá louca pra vir embora.
Sei lá. Só sei que no trem que pegamos pra Cascais estava escrito que "as brasileiras são umas grandes putas".
Parece que o idioma em comum não tem sido suficiente pra fazer esses dois povos se entenderem. Depois comento sobre o vídeo e conto mais de Portugal, que eu adorei, apesar de ALGUNS portugueses.

2 comentários:

Cristina disse...

Aline, fui às lágrimas com os irmãos além-mar... pior é q planejo ir lá no fim do ano. Bjos
Cris

Ligia Fascioni disse...

Aline, tive exatamente a mesma impressão que você quando estive lá em 2000. Eles não são muito polidos, tal qual nossos manezinhos da Ilha. Não têm muita paciência e estacionam em cima da calçada igualzinho os brasileiros.

Na verdade, foi o lugar da Europa onde ganhei mais respostas "atravessadas". Ganhou até de Paris...

Mas a viagem vale a pena, como toda viagem, com certeza!